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Síndrome do Túnel Cubital

O que é a síndrome do túnel cubital?

A síndrome do túnel cubital é uma patologia na qual o nervo ulnar é comprimido na região de dentro/interna do cotovelo, chamado de túnel cubital. Ele é formado por estruturas ósseas e ligamentares que em conjunto formam um túnel por onde o nervo ulnar passa.

A síndrome do túnel cubital é a segunda causa de compressão de nervo periférico, ficando atrás apenas da síndrome do túnel do carpo.

Síndrome do Túnel Cubital | Dra. Verônica Chang
Nervo ulnar no túnel cubital na parte de dentro do cotovelo

Quais os sintomas da compressão do nervo ulnar?

Os sintomas da síndrome do túnel cubital podem variar de acordo com o grau de compressão do nervo ulnar, podendo ocorrer desde alterações sensitivas até alterações motoras no lado acometido. Quando a compressão é mais leve, os sintomas podem ser intermitentes, com piora após longos períodos com o cotovelo dobrado/fletido e durante à noite. São eles:

  • dor na parte de dentro/interna do cotovelo que pode se estender para o antebraço
  • formigamento no 4º e 5º dedo da mão
  • diminuição da sensibilidade nesses locais

À medida que a compressão se intensifica, os sintomas podem se tornar constantes e a perda de força na mão pode se tornar evidente. Encostar o 5º dedo no 4º dedo assim como esticá-los completamente são sintomas típicos de compressão do nervo ulnar. Em casos mais avançados, a mão pode apresentar atrofia da sua musculatura perdendo assim o seu contorno habitual.

Síndrome do Túnel Cubital | Dra. Verônica Chang
Locais de sintomas da síndrome do túnel cubital com compressão do nervo ulnar

Quais são as causas da compressão do nervo ulnar?

Diversas são as causas de compressão do nervo ulnar no cotovelo. Contudo, de forma geral, todas elas levam ao aumento da pressão sobre o nervo ulnar, seja pela diminuição do túnel cubital ou pelo aumento do volume das estruturas que passam por ele. Essas causas podem ser divididas entre três fatores: sistêmicos, intrínsecos e extrínsecos:

  • sistêmicos: diabetes, insuficiência renal, mal de Hansen, amiloidose, mieloma múltiplo, entre outros;
  • intrínsecos: presença de músculo ancôneo acessório/epitroclear, variações anatômicas ósseas e ligamentares, instabilidade do nervo ulnar (quando ele sai do túnel cubital ao dobrar/fletir o cotovelo), sequela de fraturas e artrose que levam a deformidades ósseas como na artrite reumatóide;
  • extrínsecos: trauma direto sobre o cotovelo, luxação do cotovelo, movimentos repetitivos que demandem a flexão do cotovelo, trauma recorrente ao apoiar com frequência o cotovelo em superfícies rígidas.

Como é feito o diagnóstico da síndrome do túnel cubital?

O diagnóstico da síndrome do túnel cubital é feito a partir de uma boa anamnese (história clínica do paciente) e do exame físico. Além dos sintomas relatados pelo paciente, no exame físico é possível identificar as alterações sensitivas e motoras esperadas na compressão do nervo ulnar.

É realizado também o teste de Tinnel, sendo esse teste positivo quando ao se percutir a parte interna do cotovelo (local da compressão do nervo ulnar) o paciente sente uma dor local com irradiação para o antebraço e, em alguns casos, até o 4º e 5º dedo da mão.

Para se avaliar a condução elétrica do nervo ulnar é feito o exame de eletroneuromiografia dos membros superiores (ENMG dos MMSS). Nesse exame, dependendo do tempo e do grau de compressão do nervo, é possível identificar uma diminuição da condução elétrica nele e o local da sua compressão, auxiliando assim o diagnóstico preciso dessa síndrome compressiva.

Em alguns casos, a origem do distúrbio de condução pode se dar em outros locais do braço ou até mesmo na coluna cervical, sendo esses os principais diagnósticos diferenciais da síndrome do túnel cubital.

Além da ENMG dos MMSS geralmente são solicitadas radiografias do cotovelo para verificar se há alguma deformidade óssea que possa comprimir o nervo ulnar, assim como outras patologias com alterações no osso que podem gerar dor na parte interna do cotovelo, como nas artrites.

A ultrassonografia (USG) é de extrema importância nos casos de instabilidade do nervo ulnar (quando ele sai da fosse cubital ao se dobrar/fletir o cotovelo) e a ressonância nuclear magnética (RNM) do cotovelo ajuda na avaliação do nervo ulnar e das estruturas ao seu redor.

Geralmente o nervo ulnar costuma estar espessado e nos casos da presença do músculo ancôneo acessório ou músculo epitroclear, a RNM é o melhor exame para a sua identificação.

Síndrome do Túnel Cubital | Dra. Verônica Chang
RNM do cotovelo esquerdo evidenciando o músculo anconeo acessório/epitroclear

Como é o tratamento da síndrome do túnel cubital?

O tratamento da síndrome do túnel cubital depende da intensidade e gravidade dos sintomas do paciente, assim como o tempo da sua duração.

Pacientes com sintomas leves e intermitentes, primeiramente deve ser avaliado a posição do cotovelo ao longo do dia e, caso seja identificado períodos longos com ele fletido ou apoiado diretamente em superfícies mais duras, mudanças posturais devem ser realizadas. Nas queixas mais agudas, anti-inflamatórios podem ser utilizados para alívio dos sintomas.

Nos casos em que a dor é frequente, porém sem que haja qualquer tipo de perda de força, remédios específicos podem ser utilizados, como anticonvulsivante e complexo de vitamina B. O uso desses medicamentos é indicado por tempo determinado até a melhora dos sintomas.

Caso a queixa do paciente seja mais prevalente durante à noite, pode ser indicado o uso noturno de imobilizadores para o cotovelo (órteses) que mantém o cotovelo menos dobrado diminuindo assim a pressão sobre o nervo ulnar.

Já nos casos em que o paciente permanece com os sintomas de forma contínua ou que apresente algum grau de perda de força, a cirurgia está indicada.

Como é a cirurgia para o tratamento da síndrome do túnel cubital?

A cirurgia da síndrome do túnel cubital consiste em diminuir a pressão sobre o nervo ulnar. É feito um corte de cerca de 4cm no lado de dentro do cotovelo e é feita a “soltura” do nervo ulnar do túnel cubital (neurólise).

Caso o fator da compressão seja uma proeminência óssea, essa é removida no ato cirúrgico. Caso o paciente tenha o músculo ancôneo acessório/epitroclear presente, ele também é removido.

E caso não haja nenhuma variante anatômica ou estrutura que esteja comprimindo diretamente o nervo, é feita apenas a sua neurólise e, caso necessário, pode ser feita uma transposição do nervo (mudar o local do nervo) para dentro do músculo (transposição submuscular) ou para dentro da camada de gordura do braço (transposição subcutânea). Cada técnica tem sua vantagem porém isso deve ser discutida junto ao médico.

Músculo anconeo acessório/epitroclear | Dra. Verônica Chang
Figura 1: músculo anconeo acessório/epitroclear
Nervo Ulnar após ressecção do músculo anconeo acessório/epitroclear | Dra. Verônica Chang
Figura 2: nervo ulnar após ressecção do músculo anconeo acessório/epitroclear

Como é a recuperação pós-operatória do tratamento cirúrgico da síndrome do túnel cubital?

A melhora dos sintomas não costuma ser imediata. Ela tende a melhorar com o tempo. Entretanto, caso o paciente apresente alguma perda de força, a depender do grau e do tempo da perda motora, esse déficit poder ser irreversível, assim como o déficit sensitivo (alteração da sensibilidade). Por isso a avaliação médica especializada é de extrema importância para que sequelas sejam evitadas.

Após a cirurgia é feito o uso da tipóia apenas para controle da dor. À medida que o paciente se sinta mais confortável, ela não precisa mais ser utilizada. Com cerca duas semanas os pontos são retirados. A fisioterapia pode ser iniciada de imediato para ajudar na drenagem do inchaço e para estimular o nervo ulnar progressivamente.

Uma vez a pele cicatrizada e o músculo fortalecido, o paciente estará liberado para realizar as suas atividades habituais, geralmente com cerca de seis semanas. Atividades mais intensas e esportes com cargas elevadas geralmente são permitidas após 3 meses de cirurgia.

Vale ressaltar que é de extrema importância descartar outras patologias que podem gerar sintomas semelhantes à síndrome do túnel cubital. Além disso, deve-se estar sempre atento a diferentes locais de compressão do nervo ulnar, pois caso necessários, a neurólise do nervo ulnar nesses outros locais deve ser feita concomitantemente.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em ombro e cotovelo.

FAQ

1. Como evitar a síndrome do túnel cubital?

Evite apoiar o cotovelo diretamente em superfícies duras e permanecer com o ele dobrado por muito tempo. Se necessário, programe-se para esticar o cotovelo com frequência e apoie o mesmo em uma almofada.

2. Como tratar a inflamação do nervo ulnar?

Na fase de dor mais aguda, podem ser utilizados anti-inflamatórios. Compressa de gelo local também podem aliviar os sintomas. A fisioterapia também pode ajudar na melhora da inflamação e da dor.

3. O que é a parestesia no cotovelo?

A parestesia é uma alteração sensitiva que comumente é chamada de “formigamento”. Ela pode ocorrer por diversas causas, incluindo compressão nervosa.

4. O que é a neuropatia compressiva/síndrome compressiva?

A neuropatia compressiva ou síndrome compressiva é uma condição em que o nervo sofre algum tipo de compressão gerando sintomas diversos como queimação, formigamento, sensibilidade aumentada ou diminuída, até mesmo perda de força. Ela pode ocorrer por diversas causas, portanto, sempre que os sintomas acima citados aparecerem e principalmente persistirem, é importante que o paciente passe por avaliação médica.

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