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Lesão Distal do Bíceps

Lesão distal do bíceps é uma lesão do tendão do bíceps no cotovelo. Pode levar à perda de força e fadiga muscular nos movimentos de pronação e supinação.

O que é a lesão distal do bíceps braquial?

O músculo bíceps braquial é um dos músculos do braço responsável principalmente pela supinação do antebraço, mas também pela flexão do cotovelo. Ele possui duas origens no ombro e uma inserção única na região do cotovelo. As lesões no bíceps que acometem a região do cotovelo são chamadas de lesões distais do bíceps braquial.

Lesão Distal do Bíceps | Dra. Verônica Chang
Figura 1: origem e inserção do músculo bíceps braquial. A seta vermelha está apontando para a porção distal do bíceps braquial.

Como ocorrem as lesões distais do bíceps?

As lesões distais do bíceps acontecem em apenas 3% dos casos de lesão no bíceps e geralmente ocorrem em pacientes entre 30-50 anos que realizam algum esforço resistido no antebraço com o cotovelo semi-flexionado e com a palma da mão virada para cima (supinada), como ao carregar um objeto pesado, ao realizar exercícios na academia ou em movimentos bruscos ou de resistência como no cross-fit e nas artes marciais. É mais comum em pacientes do sexo masculino e a lesão costuma acontecer de forma súbita.

Quais os sintomas da lesão distal do bíceps?

Geralmente no momento da lesão distal do bíceps o paciente pode sentir um estalido ou sensação de tecido rasgando no cotovelo, seguido de dor local. Posteriormente pode aparecer um inchaço na região da frente do cotovelo e, dependendo do quanto o tendão retrai/encolhe, pode surgir uma deformidade local com aumento de volume na parte da frente do braço, que é justamente o ventre muscular do bíceps braquial retraído/encolhido. Movimentos como dobrar o cotovelo, mas principalmente o de supinar o antebraço (virar a palma da mão para cima) podem intensifica a dor e o paciente costuma sentir uma perda de força nesses movimentos.

Lesão Distal do Bíceps | Dra. Verônica Chang
Figura 2: paciente com lesão completa distal do bíceps com retração do coto tendíneo (em vermelho) e deformidade na face anterior do braço (em laranja)

Como é feito o diagnóstico das lesões distais do bíceps?

O diagnóstico da lesão distal do bíceps é feito a partir de testes específicos no exame físico, e pela presença de deformidades esperadas nesse tipo de lesão, como o encurtamento do ventre muscular do bíceps. Além disso, complementa-se a investigação com exames de imagens, entre eles:

  • ultrassonografia: muitas das lesões já são identificadas nesse exame de imagem, porém em alguns casos ele pode vir com um resultado falso-negativo.
  • ressonância nuclear magnética: esse é o melhor exame para se identificar possíveis lesões distais do bíceps. Nesse exame é possível avaliar a integridade e qualidade do tendão, assim como a retração/encurtamento do tendão.
 Ressonância nuclear magnética do cotovelo com lesão distal do bíceps
Figura 3: ressonância nuclear magnética do cotovelo com lesão distal do bíceps com retração do coto tendíneo (circulado em vermelho)

Como é feito o tratamento da lesão distal do bíceps?

O tratamento da lesão distal do bíceps varia de acordo com a idade e perfil do paciente, sendo que o tratamento conservador, ou seja, não cirúrgico, é reservado para pacientes de mais idade, com baixa demanda ou com alguma doença clínica que contraindique a realização da cirurgia. Na maioria dos casos, quando a lesão é diagnosticada precocemente, o tratamento costuma ser cirúrgico.

O tratamento cirúrgico da lesão distal do bíceps costuma apresentar muito bons resultados e é feito através de uma pequena incisão de cerca de 3cm na parte da frente do antebraço próximo ao cotovelo. O coto tendíneo é então identificado e fixado no seu local anatômico, como mostrado nas figuras abaixo:

Técnica cirúrgica por via única anterior para o reparo distal do tendão do bíceps
Figura 4 e 5: técnica cirúrgica por via única anterior para o reparo distal do tendão do bíceps com bíceps button

Como é a recuperação da cirurgia do reparo da lesão do bíceps braquial?

Quando realizada a cirurgia para o reparo da lesão distal do bíceps, o paciente poderá ir de alta para casa no mesmo dia. O uso da tipóia é feito para o controle da dor nas primeiras semanas, porém a fisioterapia deve ser iniciada já nos primeiros dias da cirurgia. Com 6 semanas o movimento completo do cotovelo é liberado, porém o fortalecimento progressivo é iniciado após cerca de 2 a 3 meses da cirurgia. A retomada às atividades esportivas, assim como o retorno às atividades que demandam grandes esforços com os braços, é feita com cerca de 5 a 6 meses de pós-operatório.

Radiografia de cotovelo com bíceps button
Figura 6: radiografia de cotovelo com bíceps button após reparo de lesão distal do bíceps

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em ombro e cotovelo.

Referências:
Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo 
https://orthoinfo.aaos.org/en/diseases–conditions/biceps-tendon-tear-at-the-elbow/

FAQ

1. O que fazer quando rompe o tendão do bíceps?

Procure um atendimento especializado precocemente. O tratamento da lesão distal do bíceps na sua fase aguda apresenta melhores resultados.

2. Como saber se rompi o bíceps?

A lesão distal do bíceps costuma ser súbita e acompanhada de dor na parte da frente do cotovelo, podendo ou não ter uma retração do músculo do bíceps associado. Caso você tenha feito algum esforço que tenha gerado esses sintomas, pode ser que você tenha rompido a porção distal do bíceps braquial.

3. Rompi o meu bíceps no cotovelo. O que acontece se eu não operar?

A dor provavelmente irá passar com o tempo, porém a perda de força costuma permanecer, principalmente no movimento de supinação (virar a palma da mão para cima). Pacientes que trabalham com movimentos de pronação e supinação do antebraço, como eletricistas, mecânicos, entre outros, podem sentir uma fadiga muscular ao realizar esses movimentos.

4. Lesões distais do bíceps são sempre cirúrgicas?

Na maioria dos casos e na fase aguda sim, porém cada caso deve ser avaliado individualmente e os riscos e benefícios devem ser discutidos em conjunto.

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