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Epicondilite Lateral

O que é a epicondilite lateral ou “cotovelo do tenista”?

A epicondilite lateral é uma alteração dos tendões que ficam na parte de fora do cotovelo e que conectam os músculos do antebraço que fazem o movimento de extensão (para cima) dos dedos e do punho a uma proeminência óssea chamada epicôndilo lateral.

É a principal causa de dor no cotovelo e cerca de 3% da população apresenta essa queixa, ou seja, é um diagnóstico muito frequente de dor no consultório médico.

Epicondilite lateral | Dra. Verônica Chang
Cotovelo direito com lesão do tendão comum extensor próximo ao epicôndilo lateral

Quem pode ter a epicondilite lateral?

Adultos jovens, tanto homens quanto mulheres e que exercem atividades laborais ou praticam esportes que exigem movimentos repetitivos de supinação do antebraço (como no uso de chave de fenda, abrir torneiras, trocar uma lâmpada) e de extensão do punho e dos dedos, como na digitação e uso frequente do mouse, podem ter o diagnóstico de epicondilite lateral.

No entanto, ela também pode ocorrer em pessoas sedentárias e que não fazem esses movimentos com frequência. Ela também é conhecida como “cotovelo do tenista”, apesar de apenas 10% das pessoas com esse diagnóstico de fato praticarem essa modalidade esportiva.

Contudo, até cerca de 50% dos pacientes que jogam tênis podem ter o diagnóstico de cotovelo do tenista em algum momento da vida, sendo que nesse grupo, a prevalência da epicondilite lateral é mais frequente no sexo masculino.

Por que a epicondilite lateral ocorre?

Os movimentos repetitivos já mencionados acima, geram microlesões no tendão comum extensor (aquele que conecta a musculatura extensora do antebraço ao epicôndilo lateral) causando inicialmente um processo inflamatório local, que é uma tentativa do corpo cicatrizar essas pequenas lesões.

No entanto, na epicondilite lateral essa cicatrização não acontece de forma adequada causando assim uma degeneração das fibras de colágeno do tendão e fibrose, que é um tecido cicatricial de má qualidade. Com isso o tendão acaba adoecendo (tendinose), e a qualidade do tendão é comprometida.

Quais são os sintomas?

O principal sintoma da epicondilite lateral é dor no lado de fora do cotovelo que pode se estender até o antebraço, porém, a perda de força ao segurar um copo, abrir uma garrafa, carregar sacolas, entre outros movimentos, é também uma queixa muito frequente. Em alguns casos a dor pode ser mais intensa à noite e de manhã ao despertar.

Como é feito o seu diagnóstico?

O diagnóstico da epicondilite lateral é clínico, ou seja, a partir de uma boa anamnese (história clínica do paciente) e do exame físico, já é possível chegar ao seu diagnóstico.

No entanto, alguns exames complementares podem ajudar na avaliação da qualidade do tendão e a excluir diagnósticos diferenciais como lesão do ligamento colateral lateral, artrite úmero-radial, compressão do nervo interósseo posterior (síndrome do túnel radial), entre outros.

Entre os exames complementares, a radiografia (RX) é feita com o intuito de avaliar os ossos do cotovelo e ver se há alguma deformidade ou calcificação no local da dor, sendo que na maioria dos casos de epicondilite lateral a radiografia não apresenta alterações.

O ultrassom (USG) e a ressonância nuclear magnética (RNM) ajudam na avaliação mais precisa dos tendões, que não são visíveis nas radiografias. Geralmente na epicondilite lateral, a origem do tendão comum extensor está alterada, podendo variar desde uma tendinose sem lesão (tendão degenerado), até lesões tendíneas parciais ou totais.

Epicondilite lateral | Dra. Verônica Chang
Ressonância magnética do cotovelo (visto de frente) com lesão parcial do tendão comum extensor, alteração muito frequente nos casos de epicondilite lateral.

Como é o tratamento da epicondilite lateral?

A duração dos sintomas pode ser prolongada, podendo variar de semanas a meses.

Existe uma grande variedade de modalidades terapêuticas para o seu tratamento, tanto conservadoras quanto cirúrgicas, porém, em até 95% dos casos de epicondilite lateral a cirurgia não é necessária e ela é indicada somente após pelo menos 3 a 6 meses de tratamento não operatório.

Na fase mais aguda (de maior dor) da epicondilite lateral, repouso, gelo e uso de anti-inflamatórios podem ser necessários para o alívio da dor e para o conforto do paciente.

Posteriormente a fisioterapia poder ser indicada, assim como uso de imobilizadores. Caso a dor permaneça apesar das medidas iniciais, pode ser indicada uma infiltração local (injeção de medicamento diretamente no local da tendinose) para o alívio dos sintomas.

Como é feita a infiltração para o tratamento de epicondilite lateral?

Em alguns casos, uma infiltração (injeção com medicamento no local da dor) pode ser feita para o tratamento da epicondilite lateral. Ela pode ser realizada no consultório com anestésico local e o paciente pode movimentar o cotovelo normalmente logo após.

Nos três primeiros dias pode ocorrer um leve aumento da dor e para isso costumo prescrever analgésicos e anti-inflamatórios para controlar a dor e recomendo o uso de compressa de gelo local três vezes ao dia ou conforme necessidade.

Os remédios mais utilizados na infiltração para o seu tratamento são os corticosteroides e o ácido hialurônico:

  • corticosteroides: apresentam bons resultados a curto prazo com melhora da dor nas primeiras 6 semanas, porém os estudos mostram que a médio e longo prazo o seu uso local pode prejudicar o resultado final do tratamento da epicondilite lateral.
  • ácido hialurônico: é um componente presente nos tendões e o objetivo de sua infiltração local é promover e estimular uma cicatrização adequada do tecido danificado/degenerado. Os estudos demonstram uma tendência na melhora após a sua aplicação local, mas há pacientes que mesmo assim podem permanecer sintomáticos.
Epicondilite lateral | Dra. Verônica Chang
Infiltração no cotovelo guiada por ultrassom

Como é a cirurgia para o tratamento da epicondilite lateral?

Lembrando que apenas 5% dos casos de epicondilite lateral são cirúrgicos, a cirurgia é indicada quando o paciente mantém dor e perda de força mesmo após 3 a 6 meses de tratamento conservador.

Ela pode ser feita por via aberta (pequeno corte na pele) ou por via artroscópica (na qual uma câmera é introduzida dentro do cotovelo) e, em ambas as técnicas o tecido degenerado é removido.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em ombro e cotovelo.

FAQ

1. Como prevenir a epicondilite lateral?

A postura adequada nos movimentos do dia-à-dia e nas atividades esportivas podem diminuir a sobrecarga sobre os tendões do cotovelo e evitar a sua degeneração. Manter um bom alongamento e musculatura forte ajudam a prevenir essas lesões.

2. Como aliviar a dor da epicondilite lateral?

Caso a dor esteja muito intensa, faça compressa de gelo no local da dor de 15 a 20 minutos e sempre protegendo a pele com uma toalha fina para não queimá-la. Repita o procedimento 3 vezes ao dia ou o quantas vezes forem necessárias, com intervalo mínimo de 2 horas entre cada compressa.

3. Como saber se tenho epicondilite lateral?

Caso você apresente dor na parte de fora do cotovelo ou dificuldade para segurar objetos sem qualquer tipo de trauma anterior, talvez você tenha epicondilite lateral.

4. O que acontece se eu não tratar a epicondilite lateral?

Caso você tenha a epicondilite lateral e não a trate, pode ser que ela passe sozinha, contudo, pode ser também que se torne crônica causando uma dor residual persistente. Recomendo que faça uma avaliação com um ortopedista especializado para ser diagnosticado e tratado adequadamente.

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