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Capsulite adesiva

O que é capsulite adesiva ou “ombro congelado”?

A capsulite adesiva é uma inflamação da cápsula articular do ombro, que é um tecido de colágeno que o envolve. É também conhecida como “síndrome do ombro congelado” ou apenas “ombro congelado”, pois além de muita dor, o paciente apresenta dificuldade em movimentar o ombro como se o mesmo estivesse “congelado”.

É uma condição muito dolorosa e que pode durar de meses a anos, sendo que a maioria dos pacientes se recupera em até dois anos.

Quem pode ter a capsulite adesiva/ombro congelado?

A capsulite adesiva é uma condição relativamente comum, chegando a acometer cerca de 2% da população. No entanto, como os sintomas iniciais são semelhantes a de outros problemas do ombro, como na síndrome do manguito rotador, tendinite calcárea, entre outros, muitas vezes ela acaba não sendo diagnosticada corretamente.

Ela incide tanto em homens quanto em mulheres, porém é discretamente mais prevalente no sexo feminino e geralmente ocorre em pessoas entre 40 a 60 anos. É raro que a capsulite adesiva acometa o mesmo ombro mais de uma vez, contudo, 20% dos pacientes com diagnóstico de ombro congelado poderão ter essa doença no outro ombro.

Capsulite Adesiva | Dra. Verônica Chang
Imagem de um ombro com cápsula articular normal à esquerda e com capsulite adesiva à direita

Por que a capsulite adesiva acontece?

Apesar de a maioria dos casos de capsulite adesiva ocorrer sem uma causa específica, algumas doenças podem estar relacionadas com esse quadro, sendo que a diabetes é a mais comum – os pacientes diabéticos tem até 4 vezes mais chance de desenvolverem a capsulite adesiva do que a população geral.

Abaixo algumas doenças que podem estar relacionadas com a capsulite adesiva:

  • diabetes
  • doenças cardiovasculares
  • trauma
  • infarto do miocárdio
  • discopatias cervicais
  • imobilização prolongada
  • doenças da tireóide

Quais os sintomas da capsulite adesiva?

A capsulite adesiva é dividida em três fases:

  • fase aguda ou inflamatória: essa fase é caracterizada por muita dor. À noite ela pode se tornar mais intensa, prejudicando assim a qualidade do sono do paciente. Além disso, o paciente apresenta muita dificuldade em realizar as suas atividades do dia-à-dia, como se vestir, levantar o braço, etc, e o conjunto desses fatores podem gerar um quadro de ansiedade significativa. Essa fase pode durar de 3 a 9 meses.
  • fase de congelamento: nessa fase o paciente começa a perder os movimentos do ombro, como se ele estivesse congelando (rigidez articular). Nas mulheres, a dificuldade inicial é colocar o sutiã e nos homens, colocar a carteira no bolso de trás da calça. Esse movimento de colocar o braço para trás é chamado de rotação interna e é o primeiro movimento que o paciente começa e sentir dificuldade em realizar nos casos de capsulite adesiva. Posteriormente, outros movimentos ficam “congelados” como levantar o braço e abrir a axila. Essa fase pode durar de 4 a 6 meses.
  • fase de descongelamento: como a própria palavra diz, nessa fase o ombro do paciente vai se soltando e aos poucos a amplitude de movimento da articulação vai sendo reestabelecida. Progressivamente o paciente retoma às suas atividades diárias. Essa fase dura de 5 a 24 meses.

Como é feito o seu diagnóstico?

O diagnóstico da capsulite adesiva é clínico, ou seja, a partir de uma boa anamnese (história clínica do paciente) e do exame físico, já é possível chegar ao seu diagnóstico. No entanto, alguns exames complementares podem ajudar para excluir diagnósticos diferenciais como lesão do manguito rotador, artrite e/ou artrose do ombro, tendinite calcárea, entre outros.

Entre os exames complementares, a radiografia (RX) do ombro na capsulite adesiva não costuma apresentar alterações. Já na ressonância nuclear magnética (RNM), as alterações podem ser muito sutis. Abaixo, alguns dos achados possíveis de serem encontrados no exame de RNM do ombro com capsulite adesiva:

Capsulite Adesiva | Dra. Verônica Chang

Figura 1: espessamento do ligamento coracoumeral
Figura 2: espessamento da cápsula articular
Figura 3: infiltração gordurosa do intervalo dos rotadores
Figura 4: edema pericapsular glenoumeral

Como é o seu tratamento?

O tratamento da capsulite adesiva varia de acordo com a fase que o paciente se encontra. Na fase aguda ou inflamatória, podem ser utilizados analgésicos simples, opióides em alguns casos, anti-inflamatórios não hormonais e corticoides sistêmicos, caso não haja nenhuma contra-indicação.

Nessa fase a fisioterapia está indicada para controle da dor (analgesia) e à medida que a dor for diminuindo, alguns exercícios para ganho progressivo de movimento do ombro (amplitude de movimento) podem ser feitos, porém tomando muito cuidado para que a dor não piore.

Nessa fase, em alguns casos pode ser indicada a infiltração articular com corticoide que pode ser feita no próprio consultório.

Já na fase de congelamento, além do controle da dor que é um pouco menos intensa nesse momento, devem ser feitos exercícios para ganho de amplitude de movimento do ombro e exercícios específicos que promovem o alongamento da porção posterior da cápsula articular.

Esses exercícios são feitos conforme a dor do paciente e devem ser realizados sob orientação específica para que o resultado seja otimizado. Caso mesmo o assim o paciente mantenha a rigidez articular, pode ser indicada uma infiltração articular seguida de manipulação articular que será explicada adiante.

Por fim, na fase de descongelamento, além de se manter a amplitude de movimento do ombro, são feitos exercícios de fortalecimento para ativar a musculatura ao redor do ombro e da cintura escapular que ficaram inativos durante as fases anteriores.

Como é feita a infiltração para o tratamento da capsulite adesiva?

Nos pacientes que não respondem satisfatoriamente ao tratamento inicial com medicamentos e fisioterapia, pode ser indicada a infiltração articular (injeção de medicamento dentro do ombro) com corticoide.

Como já mencionado acima, na primeira fase da capsulite adesiva, onde o ombro ainda não está congelado, essa infiltração pode ser feita no próprio consultório. Uma agulha é introduzida no ombro sob anestesia local e a medicação é injetada através dessa agulha.

Já na fase de congelamento, quando o ombro está rígido, é feita uma manipulação articular logo após a infiltração articular. Esse procedimento, no entanto, é feito no centro cirúrgico sob sedação – sem necessidade de se realizar a intubação orotraqueal – pois consiste em, além de colocar corticoide dentro da articulação (infiltrar), em manipular o ombro logo após como tentativa de romper a cápsula articular e os tecidos mais espessos (fibrose) que restringem a movimentação do ombro.

É uma técnica minimante invasiva, porém que deve ser feita sob sedação para que o paciente não sinta dor.

Capsulite Adesiva | Dra. Verônica Chang
Infiltração Intra-articular no Ombro

Como é a cirurgia para o tratamento da capsulite adesiva?

Em casos selecionados e sem melhora com os tratamentos já mencionados acima, pode ser indicada a liberação articular artroscópica do ombro congelado.

É um procedimento cirúrgico, no qual uma câmera é introduzida dentro do ombro através de pequenos furos na pele e, a partir da visualização direta interna do ombro, é feita uma liberação 360 graus da cápsula articular, ou seja, a cápsula articular do ombro é cortada em toda a sua extensão para que assim o ombro possa a ficar livre novamente.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em ombro e cotovelo.

FAQ

1. Como evitar a capsulite adesiva/ombro congelado?

Nos pacientes diabéticos, é fundamental que a glicemia esteja controlada. Já nos demais pacientes, orientamos não usar tipóia desnecessariamente. Nos casos de trauma com fratura do membro superior (punho, cotovelo, ombro) e com necessidade de qualquer tipo de imobilização, orientamos movimentar o ombro pelo menos três vezes ao dia, caso não haja contraindicação.

2. Como aliviar a dor da capsulite adesiva?

Para aliviar a dor da capsulite adesiva, incialmente podem ser utilizados analgésicos simples, como a dipirona e/ou paracetamol, relaxantes musculares e anti-inflamatórios tanto não hormonais quanto hormonais. Em alguns casos podem ser prescritos remédios mais forte como opióides, entre outros fármacos. O ideal é que você passe por uma avaliação especializada para uso adequado das medicações.

2. Quanto tempo leva para curar a capsulite adesiva?

Embora a capsulite adesiva seja auto-limitada, é muito variável o tempo de duração da capsulite. Pode durar meses até anos e alguns pacientes podem não recuperar completamente a movimentação do ombro. Por isso é muito importante que o diagnóstico preciso seja feito o quanto antes para que o tratamento seja feito precocemente.

3. Como dormir com dor no ombro/capsulite adesiva?

O melhor jeito de dormir com dor no ombro é tratar a causa da dor. No caso da capsulite adesiva, quanto antes o ombro ficar solto, menos tempo a dor irá durar. Portanto a mobilização do ombro e da escápula, conforme tolerado, são fundamentais para o conforto do paciente.

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