skip to Main Content

Bursite do cotovelo

A bursite do cotovelo é o aumento do volume da bursa olecraneana. Pode ser indolor, mas em casos de infecção apresenta dor e vermelhidão.

O que é a bursite olecraneana/bursite do cotovelo?

A bursa é uma estrutura presente em diversas articulações do corpo humano e que tem como função facilitar o deslizamento dos tendões durante a sua movimentação. A bursa olecraneana fica ao redor da ponta do cotovelo, chamada de olécrano, e é como se fosse uma bexiga preenchida por uma mínima quantidade de líquido.

Porém, quando inflamada ou até mesmo infeccionada, ocorre um aumento do líquido no seu interior e ela se torna mais volumosa e evidente.

Bursite do Cotovelo | Dra. Verônica Chang

Bursite do Cotovelo | Dra. Verônica Chang
Radiografia de cotovelo (vista de lado/perfil): em verde a ponta do cotovelo (olécrano) em laranja a localização da bursa olecraneana.

Quais os sintomas da bursite do cotovelo/olecraneana?

De forma geral, o principal sintoma das bursites olecraneanas é o aumento de volume na ponta do cotovelo como se formasse no local uma bexiga com água no seu interior. Esse aumento pode ser indolor, porém dependendo do caso pode vir acompanhado de calor, dor e vermelhidão local.

Apesar dessas alterações, a movimentação do cotovelo não é prejudicada e o paciente consegue movimentá-lo normalmente.

Bursite do Cotovelo | Dra. Verônica Chang
Imagem de bursite olecraneana não infectada: cotovelo dobrado (figura1) e cotovelo esticado (figura 2)

Como ocorrem as bursites do cotovelo/olecraneanas?

Podemos dividir as bursites olecraneana em três tipos:

  • aguda: as bursites olecraneanas agudas costumam ocorrer após algum trauma local ou após ficar apoiado sobre a ponta do cotovelo por tempo prolongado (cotovelo do estudante). Nesses casos, ocorre um aumento de volume abrupto na ponta do cotovelo podendo esse aumento ser indolor, porém em alguns casos pode ser acompanhado de discreta dor e vermelhidão local;
  • crônica: as bursites olecraneanas crônicas podem surgir após diversas bursites recorrentes, no entanto são mais frequentes em pacientes com doenças sistêmicas como gota, pseudogota e artrite reumatoide. Nesses casos o aumento de volume costuma ocorrer mais lentamente e de forma progressiva sendo que nos pacientes com gota, nodulações endurecidas e irregulares podem ser sentidas no local da bursite (depósitos de cristais). Geralmente costumam ser indolores;
  • séptica: as bursites olecraneanas sépticas são decorrentes das bursites anteriormente mencionadas (agudas e crônicas) porém que acabam por alguma razão sendo infectadas. Geralmente essas infecções decorrem da entrada de bactérias através de pequenos arranhões ou fissuras na pele ou de processos infecciosos de pele próximos ao cotovelo. Dor, calor e vermelhidão mais intensos costumam estar presentes nas bursites infectadas/sépticas além de febre em casos mais avançados;

Como é feito o diagnóstico das bursites do cotovelo/olecraneanas?

O diagnóstico das bursites olecraneanas é feito a partir de uma boa anamnese (história clínica do paciente) e de um exame físico minucioso, porém, dependendo do tipo de bursite olecraneana – aguda, crônica ou séptica como explicado acima – os exames complementares podem ajudar no melhor entendimento do quadro.

A radiografia (RX) do cotovelo é feita para que a parte óssea seja avaliada, contudo, em muitos dos casos ela não costuma apresentar alterações significativas. A ultrassonografia (USG) pode ser solicitada para se avaliar o tamanho, volume e conteúdo da bursite olecraneana enquanto a ressonância nuclear magnética (RNM) pode trazer informações mais precisas tanto sobre a bursa em si quanto sobre as estruturas ao seu redor e/ou no seu interior.

Nos casos de suspeita de um quadro infeccioso associado, como nas bursites infecciosas/sépticas, exames laboratoriais devem ser solicitados não apenas para ajudar na elucidação do quadro, mas também para serem utilizado como parâmetro durante o seu tratamento.

Como é o tratamento das bursites do cotovelo/olecraneanas?

O tratamento das bursites olecraneanas varia dependendo do tipo, mas o principal é a sua prevenção.

  • aguda: nas bursites olecraneanas agudas, é recomendado a realização de compressas de gelo local e, a depender do quadro de dor do paciente, o uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Em casos selecionados, pode ser discutida a aspiração do líquido seguida de aplicação de corticoide local, no entanto os riscos e benefícios desse procedimento devem ser discutidos junto ao especialista. Como prevenção, orienta-se evitar o apoio prolongado sobre os cotovelos.
  • crônica: nas bursites olecraneanas crônicas é fundamental, caso o paciente apresente alguma doença sistêmica, que ela esteja controlada. Em casos selecionados e sem regressão do quadro, poder ser discutida a possibilidade do tratamento cirúrgico no qual a bursa é removida. Como medida preventiva, o controle adequado das doenças sistêmicas é de extrema importância.
  • séptica: as bursites sépticas estão infectadas e, portanto, o seu tratamento é cirúrgico e de urgência. Nesses casos a bursa e os tecidos infectados ao redor são removidos no centro cirúrgico e enviados para análise (cultura) para saber qual tipo de bactéria provocou a infecção. O uso de antibiótico é mandatório e o tempo de duração e qual antibiótico a ser utilizado depende da bactéria identificada. A cirurgia é indicada pois quando há líquido infectado dentro da bursa (pus) o antibiótico não tem efeito satisfatório sobre esse local e o paciente pode evoluir para sepse. Por outro lado, as bursites sépticas, quando tratadas de forma adequada, apresentam muito bons resultados. Para prevenir as bursites infectadas recomenda-se hidratar bem a região dos cotovelos para preservar a pele que funciona como barreira contra as bactérias.
Bursite do Cotovelo | Dra. Verônica Chang
Bursite infectada no cotovelo com aumento de volume e vermelhidão local, assim como finas descamações na pele (possível porta de entrada para bactérias)

Como é a cirurgia para o tratamento da bursite do cotovelo/olecraneanas?

A bursectomia (remoção da bursa) é indicada apenas em casos selecionados de bursite olecraneana. Ela é feita através de um corte na parte de trás do cotovelo e assim a bursa é removida. No cotovelo essa bursa é mais superficial, portanto, após a sua retirada é realizado o fechamento adequado da pele e em seguida o paciente poderá movimentar o cotovelo operado.

Assim que os pontos forem retirados com cerca de 14 dias – e nos casos de bursite séptica a infecção estiver resolvida -, o paciente poderá retornar às suas atividades habituais.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em ombro e cotovelo.

Referências:
https://orthoinfo.aaos.org/en/diseases–conditions/elbow-olecranon-bursitis/
Reilly D, Kamineni S. Olecranon bursitis. J Shoulder Elbow Surg. 2016 Jan;25(1):158-67. doi: 10.1016/j.jse.2015.08.032. Epub 2015 Nov 11. PMID: 26577126.

FAQ

1. Como evitar a bursite do cotovelo?

Evite apoiar-se sobre os cotovelos e mantenha a pele sempre bem hidratada.

2. Como desinchar o cotovelo?

Para desinchar o cotovelo, caso não haja infecção local, podem ser realizadas compressas com gelo no local do inchaço, além de fazer uso de anti-inflamatórios não hormonais e/ou hormonais.

3. Apareceu uma bola no meu cotovelo. Devo me preocupar?

A principal hipótese é que você tenha uma bursite olecraneana aguda. Faça compressas de gelo e fique atento aos sinais de alarme. Caso não melhore procure um atendimento médico especializado.

4. O que é tofo no cotovelo?

Pacientes com níveis de ácido úrico elevados podem ter cristais depositados na bursa do cotovelo, entre outras regiões do corpo. Esse depósito leva a formação de nodulações chamadas de tofo gotosos.

Back To Top